|valeivai
16:03"Se existem necessidades “funcionalizáveis”, também existe o desejo, ou os desejos, aquém e além das necessidades inscritas nas coisas e na linguagem. Ademais, as necessidades são fixadas, admitidas, classificadas, apenas em função de imperativos econômicos, de normas e “valores” sociais. Classificação e denominação das necessidades têm, portanto, um caráter contingente, e são, paradoxalmente, instituições. Acima das necessidades, erigem-se as instituições que as regulam ou as classificam estruturando-as. Aquém das necessidades situa-se, global e confuso, um “alguma coisa” que não é uma coisa: a impulsão, o elã, a vontade, o querer, a energia vital, a pulsão, como se quiser chamar. Por que não enunciar tais diferenças em termos de “id”, de “ego”, de “superego” social? O “id” sendo desejo, o “superego” institucional e o “ego” um compromisso? Por que não? Todavia, corre-se o risco de cair na filosofia da necessidade e na ontologia do desejo. Inutilmente." — Henri Lefebvre, A revolução urbana
15:34"

A indústria estaria vinculada à cidade? Ela estaria, antes de mais nada, ligada à não-cidade, ausência ou ruptura da realidade urbana. Sabe-se que inicialmente a indústria se implanta – como se diz – próxima às fontes de energia (carvão, água), das matérias primas (metais, têxteis), das reservas de mão-de-obra. Se ela se aproxima das cidades, é para aproximar-se dos capitais e dos capitalistas, dos mercados e de uma abundante mão-de-obra, mantida a baixo preço. Logo, ela pode se implantar em qualquer lugar, mais cedo ou mais tarde alcança as cidades preexistentes, ou constitui cidades novas, deixando-as em seguida, se para a empresa industrial há algum interesse nesse afastamento.

(…)

Estranho e admirável movimento que renova o pensamento dialético: a não-cidade e a anticidade vão conquistar a cidade, penetrá-la, fazê-la explodir, e com isso estendê-la desmesuradamente, levando à urbanização da sociedade, ao tecido urbano recobrindo as remanescências da cidade anterior à indústria.

(…)

Nesse movimento, a realidade urbana, ao mesmo tempo amplificada e estilhaçada, perde os traços que a época anterior lhe atribuía: totalidade orgânica, sentido de pertencer, imagem enaltecedora, espaço demarcado e dominado pelos esplendores monumentais. Ela se povoa com os signos do urbano na dissolução da urbanidade; torna-se estipulação, ordem repressiva, inscrição por sinais, códigos sumários de circulação (percursos) e de referência. El se lê ora como um rascunho, ora como uma mensagem autoritária. Ela se declara mais ou menos imperiosamente.

" — Henri Lefebvre, A revolução urbana
22:05"It might be said that one only constructs over the constructed. Constructing over the constructed always provides clues, permits contrasts to be established and makes it possible to testify to the value of what one thinks, which doesn’t happen when the work can be produced autonomously and independently. Rarely does an autonomous and independent work happen without some limitations. Again, it is more beautiful to think that one is working on an unfinished building and contributing to an endless job, which is the construction of the planet at any given time. Our task is always linked up with something bigger. It is beautiful to think of the history of cities in this way. Seen from this point of view, the city has less to do with the city imagined from utopian thinking. I like to see the city as a building on which we are all working but one that we shall never see completed. One cannot think that any figure is completely closed, that any city has attained its plenitude." — rafael moneo

(Source: publicspace.org)

sáenz de oiza, torres blancas, madrid
rafael moneo, kursaal center, san sebastian
rafael moneo, kursaal center, san sebastian
toyo ito, fira barcelona, barcelona
gregori warchavchik, first modernist building in brazil, são paulo, 1928
siza vieira, bouça housing complex, porto
siza vieira, bouça housing complex, porto